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Make Systems

Como transformar conhecimento em produto (sem precisar ser o especialista da sala)

Foto de Son FariasSon Farias

Publicado em Atualizado em

Pessoa escrevendo num caderno ao lado de um notebook, numa mesa de trabalho

Eu achava que precisava escolher um nicho e virar autoridade antes de vender qualquer coisa. O que faltava era organizar o que eu já estudava de graça todo dia.

Resposta curta

Pra transformar conhecimento em produto, descreva o ponto A (onde a pessoa está hoje) e o ponto B (onde ela quer chegar), mapeie os passos entre os dois com o que você já sabe e empacote esse caminho num formato que funcione sem você do lado: material, curso curto, método ou ferramenta.

Conteúdo do post
  1. O que separa quem estuda de quem vende o que estudou
  2. Você não precisa ser o especialista da sala
  3. As 3 perguntas que eu uso pra achar o produto
  4. Ponto A, ponto B e o mapa no meio
  5. Qual formato de produto escolher
  6. Marca, mapa e ferramenta
  7. Como eu mapeio isso no Make Systems
  8. Perguntas frequentes

Teve uma fase em que eu vivia dentro de abas abertas.

Uma pesquisa sobre design virava pesquisa sobre psicologia da atenção, que virava pesquisa sobre automatizar alguma coisa chata, que virava um app que eu construía sozinho num fim de semana só pra entender como funcionava por dentro.

Eu chamava isso de procrastinação disfarçada de curiosidade. Os outros trabalhando de verdade e eu brincando de aprender, com uma pasta de anotações a mais no fim do mês e nada pra mostrar.

Só bem depois entendi uma coisa meio óbvia. Aquilo já era o trabalho. Eu nunca tinha visto pesquisa virar produto, só pesquisa virar mais pesquisa. Este post é sobre como transformar conhecimento em produto, o caminho que eu fui montando errando bastante.

O que separa quem estuda de quem vende o que estudou

A diferença entre eu e alguém que "fazia aquilo profissionalmente" nunca foi a quantidade de pesquisa. Eu guardava tudo pra mim. A outra pessoa organizava o que sabia em alguma coisa que outra gente conseguia usar.

A primeira mudança foi de postura. Parei de tratar aprender como hobby isolado e comecei a tratar como matéria-prima. O estudo do dia a dia continuou igual. Mudou o que eu fazia com o que sobrava dele.

Você não precisa ser o especialista da sala

A trava que mais me segurou foi achar que eu precisava provar autoridade antes de abrir a boca.

Dá pra se posicionar como quem está pesquisando e aprendendo em público. Ninguém exige resultado garantido. Exigem que a ideia seja útil, mesmo que seja a primeira vez que você está testando ela.

Vi alguém próximo resolver essa trava assim. A pessoa fazia um trabalho técnico pra clientes e guardava o lado criativo só pra ela, com medo de misturar as coisas. Quando começou a mostrar o processo e ensinar o que estava aprendendo, isso virou ao mesmo tempo prova de trabalho e isca pros clientes que ela queria atrair. Ninguém pediu currículo. Pediram pra ver o processo.

Quem está dois passos à frente às vezes ensina melhor do que o maior especialista, porque ainda lembra como era não saber. O especialista sofre da maldição do conhecimento e pula etapas que pra ele parecem óbvias.

As 3 perguntas que eu uso pra achar o produto

  1. Quem eu consigo ajudar melhor, e como é a vida dessa pessoa agora?
  2. O que mais mudou a minha vida, entre tudo que eu já aprendi?
  3. Como eu ajudo essa pessoa a passar pela mesma mudança, só que mais rápido?

A resposta mais honesta pra primeira pergunta, no meu caso, quase sempre sou eu mesmo, uns anos atrás. A pessoa travada na mesma dúvida, procurando a resposta que eu não achava em lugar nenhum.

Ponto A, ponto B e o mapa no meio

O que mais me destravou foi parar de pensar em conteúdo como "o que eu posto hoje" e passar a pensar num mapa entre dois pontos:

  • O ponto A é onde a pessoa está agora, com o problema descrito nas palavras dela.
  • O ponto B é onde ela quer chegar, também nas palavras dela.
  • O mapa são os passos entre um e outro, na ordem em que precisam acontecer.

Qualquer ideia que ajuda alguém a dar um passo de A pra B é conteúdo válido, venha ela de um livro de filosofia ou de um app que eu montei pra testar uma ideia boba. E o produto é o que empacota esse trajeto de um jeito que funciona sem eu estar junto explicando pessoa por pessoa.

Esse mapa é o mesmo exercício de fazer um mapa mental de um assunto. A diferença é que no centro fica a transformação do aluno, e o conteúdo vai pendurado nos passos.

Qual formato de produto escolher

FormatoBom quandoCuidado
Material (guia, e-book, planilha)O caminho de A pra B é curtoValor percebido baixo se for genérico
Curso curtoO aluno precisa ver alguém fazendoAluno abandona se o curso for longo demais
Método com etapasA pessoa precisa de ordem, mais do que de volumeExige que você já tenha testado a ordem
MentoriaCada caso é muito diferenteTroca a sua hora por dinheiro
FerramentaO passo mais chato pode ser automatizadoMais trabalho pra construir

A mentoria é ótima pra validar, porque você vê de perto onde as pessoas travam. Só que ela existe enquanto você está lá. Quando o caminho estiver claro, vale empacotar num formato que trabalhe sem você. Escrevi mais sobre isso em como estruturar uma mentoria individual.

Sobre curso, eu fui o aluno que abandonou na aula 4 vezes demais pra ignorar isso. Antes de gravar, dá pra mapear o curso inteiro a partir do resultado.

Marca, mapa e ferramenta

O jeito mais simples que eu achei de organizar tudo isso foi em três camadas:

  • Marca é a transformação que as pessoas associam a você depois que suas ideias mexeram com a cabeça delas. Ela se acumula post a post, na cabeça de quem lê.
  • Conteúdo é o mapa entre onde a pessoa está e onde ela pode chegar.
  • Produto é a ferramenta que carrega a pessoa de um ponto ao outro sem precisar de você ali.

É a mesma lógica que o Naval Ravikant chama de alavancagem, a de construir coisas que trabalham por você enquanto você dorme. Ela está bem explicada no Almanaque do Naval.

Quando as três estão claras, o funil de vendas quase se desenha sozinho. O conteúdo atrai quem está no ponto A, e o produto é a oferta pra quem quer chegar no B mais rápido. O passo seguinte é montar o funil de vendas do infoproduto.

Como eu mapeio isso no Make Systems

Faço esse exercício inteiro num mapa no Make Systems:

  1. Um bloco à esquerda com o ponto A, escrito do jeito que a pessoa fala.
  2. Um bloco à direita com o ponto B.
  3. Os passos no meio, cada um num bloco, ligados por setas na ordem em que precisam acontecer.
  4. Embaixo de cada passo, o que eu já tenho de conteúdo sobre ele.

Os passos sem nada embaixo são a sua pauta dos próximos meses. Os que já têm tudo são o seu primeiro produto.

Se você também vive em abas abertas, é bem provável que a matéria-prima já esteja aí. Falta apontar ela pra alguém.

Perguntas frequentes

Preciso ter muito conhecimento pra criar um produto digital?

Precisa saber levar alguém de um ponto a outro, e isso costuma exigir menos do que você imagina. Muita gente compra de quem está dois passos à frente, porque essa pessoa ainda lembra das dúvidas do começo. O que não dá é vender um caminho que você nunca percorreu nem testou.

Qual o primeiro produto mais fácil de criar?

Um material curto que resolve um passo específico do caminho: um guia, um checklist, uma planilha. Ele é rápido de fazer, valida se o assunto interessa e mostra as dúvidas reais do público antes de você investir semanas num curso completo.

Como saber se o meu conhecimento vale dinheiro?

Olhe pras perguntas que as pessoas já te fazem de graça. Se amigos, colegas ou seguidores pedem ajuda repetidamente no mesmo assunto, existe um problema real ali. O próximo teste é oferecer algo simples e ver se alguém paga, mesmo que seja pouco.

Infoproduto e produto digital são a mesma coisa?

Na prática, quase. Infoproduto é o produto digital que entrega conhecimento: curso, e-book, mentoria gravada, comunidade. Produto digital é mais amplo e inclui software, template e ferramenta. Todo infoproduto é um produto digital, mas o contrário nem sempre vale.

Foto de Son Farias

Escrito por Son Farias

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