Eu desenhava mapa mental bonito, colorido, e esquecia tudo do mesmo jeito. O que estava errado era a ordem em que eu montava o mapa.
Pra fazer um mapa mental de um livro que ajude a lembrar, junte primeiro os termos principais fora de ordem, agrupe de 2 a 4 por ramo, arrisque um esqueleto antes de entender tudo e só depois complete com o conteúdo. O que faz o mapa funcionar são as ligações entre as ideias.
Conteúdo do post
Por muito tempo meus mapas mentais eram lindos e inúteis.
Eu pegava um capítulo, escrevia o título no meio da folha, puxava um galho pra cada subtítulo e ia pendurando frases. Usava três cores de caneta. Às vezes quatro. Ficava com cara de pôster de sala de aula.
Uma semana depois, o mapa me dizia exatamente o que o índice do livro já dizia. Eu tinha copiado o sumário com mais cores.
Quem me mostrou o erro foi um cara com quem eu convivi um tempo. Ele pegava um tema totalmente fora da área dele e, pouco depois, explicava aquilo de um jeito tão simples que parecia óbvio. Eu achava que era talento. Depois percebi que era a ordem em que ele montava as coisas na cabeça.
Então este post é sobre como fazer mapa mental de um livro do jeito que eu aprendi vendo ele trabalhar, e que finalmente fez o mapa servir pra lembrar.
Mapa mental que copia o sumário não ensina nada
O erro mais comum é montar o mapa na ordem em que o conteúdo chegou. Capítulo 1 vira galho 1, capítulo 2 vira galho 2.
Quem escreveu o livro organizou os capítulos pensando num leitor genérico, do começo ao fim. A sua memória guarda de outro jeito, em rede, com cada ideia ligada a várias outras e acessível por qualquer ponta. Quando o mapa repete a ordem dos capítulos, ele continua sendo uma lista, só que desenhada em círculo.
Um mapa mental útil mostra como as ideias se ligam, inclusive entre capítulos diferentes. Essa é a vantagem que ele tem sobre o resumo em tópicos.
O que é um mapa mental, sem enrolação
Mapa mental é um diagrama com uma ideia central e ramos que saem dela, cada ramo com ideias menores penduradas. A Wikipedia tem a definição e a história pra quem quiser o lado acadêmico.
Na prática, pra estudar, ele serve pra três coisas:
- ver o assunto inteiro numa tela antes de se perder nos detalhes
- mostrar onde uma ideia encosta na outra
- revelar o buraco, porque o ramo vazio é o pedaço que você ainda não entendeu.
O terceiro uso quase ninguém aproveita, e é o que mais me ajuda.
Como fazer mapa mental em 6 passos
- Levante os termos fora de ordem. Passe o olho no sumário, nos títulos, nas palavras em negrito e no que se repete. Escreva tudo solto, embaralhado de propósito. Ainda não é hora de entender.
- Escolha a ideia central. Uma só. Se ficar em dúvida entre duas, o assunto é grande demais pra um mapa, e aí vale fazer dois.
- Agrupe os termos em ramos pequenos. De dois a quatro termos por grupo, com base no que você já sabe. Pode errar. Um esqueleto errado ainda dá lugar pra pendurar o resto.
- Só agora estude o conteúdo. Cada coisa nova que você lê já tem onde encaixar, ou te avisa que o esqueleto estava errado. Corrigir um mapa é mais rápido que construir do zero.
- Desenhe as ligações cruzadas. Quando uma ideia de um ramo conversa com outra de outro ramo, ligue as duas. Essas linhas são a parte que mais vale no mapa.
- Explique o mapa em voz alta. Se travar num ramo, esse ramo está mal entendido. Volte nele, e só nele.
O passo 3 incomoda no começo, porque parece que você está chutando. Está mesmo. E funciona melhor do que esperar entender tudo pra só depois organizar.
Palavras-chave no lugar de frases
Quando comecei a fazer mapa direito, cortei as frases. Cada bloco do mapa tem uma ou duas palavras.
Parece que se perde informação, e acontece o contrário. Pra escolher as duas palavras que resumem um parágrafo, você precisa entender o parágrafo. Copiar a frase inteira dispensa esse esforço, e por isso nada fica. A psicologia chama isso de efeito de geração. A gente lembra melhor do que produziu com a própria cabeça do que do que leu pronto.
Eu tinha um livro denso que carregava na mala havia tempo demais sem terminar. O que me fez atravessar foi caçar as duas ou três palavras-chave de cada parágrafo, anotar soltas e, no fim do capítulo, ligar as que tinham relação. Ficou mais difícil de ler, e foi a primeira vez que terminei aquele livro lembrando dele.
Se o seu problema maior é esquecer o que lê, escrevi sobre isso em como lembrar o que lê.
Mapa mental à mão ou no computador?
| Critério | No papel | No computador |
|---|---|---|
| Primeiro rascunho | Rápido, sem distração | Um pouco mais lento no começo |
| Reorganizar ramos | Precisa redesenhar | Move o bloco de lugar |
| Crescer com o tempo | A folha acaba | O canvas não acaba |
| Juntar imagem, print, capa | Difícil | Cola direto no bloco |
| Revisar semanas depois | A folha some na gaveta | Abre de qualquer lugar |
Faço o primeiro esqueleto no papel quando estou longe do computador. Mas mapa de estudo muda muito, porque cada capítulo novo mexe nos ramos, e redesenhar a mesma folha três vezes cansa.
Como eu faço mapa mental no Make Systems
Hoje meus mapas de estudo ficam no Make Systems, a ferramenta que eu construí. O fluxo é o mesmo dos 6 passos, sem redesenhar nada:
- Crio um mapa mental e escrevo a ideia central no meio.
- Jogo os termos soltos em blocos, ainda sem ordem.
- Puxo os ramos e vou encaixando os termos, de dois a quatro por ramo.
- Quando uma imagem ajuda a lembrar (a capa do livro, um gráfico, o print de um slide), colo direto num bloco.
O texto de cada nível do mapa aparece num tamanho diferente, então o olho entende a hierarquia sem ler tudo. Quando termino, compartilho o link com quem está estudando junto. A pessoa vê o mapa inteiro, sem risco de bagunçar.
Os erros que eu cometia (e ainda cometo às vezes)
- Enfeitar antes de entender. Cor, ícone e desenho vêm por último, se vierem.
- Frase inteira no bloco. Se não cabe em duas palavras, eu ainda não entendi.
- Mapa gigante. Passou de uns 30 blocos, o mapa vira uma planilha espalhada. Divida.
- Fazer e nunca mais abrir. O mapa rende quando você volta nele dias depois e tenta explicar sem olhar o livro. Falo disso no post sobre repetição espaçada.
Se for testar hoje, pega um capítulo que você já leu e esqueceu. Levanta os termos fora de ordem, arrisca o esqueleto e tenta explicar. O ramo em que você travar é por onde começar a estudar de novo. E se quiser ver onde o mapa entra numa rotina completa, está em como estudar sem esquecer.
Perguntas frequentes
Quantas palavras devo colocar em cada bloco do mapa mental?
Uma ou duas por bloco. Se você precisa de uma frase inteira pra explicar o ramo, provavelmente ainda não entendeu aquela parte, ou juntou duas ideias num bloco só. Palavra curta obriga a escolher o que importa, e escolher é o que faz lembrar.
Mapa mental serve pra qualquer matéria?
Serve melhor pra assunto com muitas ideias ligadas: história, biologia, direito, negócios, livro de não ficção. Pra fórmula, cálculo e procedimento, praticar resolvendo rende mais do que desenhar. Dá pra combinar os dois. O mapa mostra onde cada fórmula entra no assunto.
Qual a diferença entre mapa mental e resumo?
O resumo guarda o conteúdo na ordem em que ele veio, em frases. O mapa mental guarda a estrutura: o que é central, o que depende do quê e onde duas ideias se encostam. Por isso o resumo ajuda a reler e o mapa ajuda a explicar e a achar o que falta.
Preciso saber desenhar pra fazer mapa mental?
Não precisa. Caixa, palavra e linha resolvem. Desenho bonito ajuda a memória bem menos do que parece e toma um tempo que devia ir pro conteúdo. Se você gosta de desenhar, desenhe no fim, depois que as ligações entre as ideias estiverem certas.
Quanto tempo leva pra fazer um mapa mental de um capítulo?
Depende da densidade do capítulo. Na primeira vez demora mais do que só ler, porque você está lendo e organizando ao mesmo tempo, e tudo bem. Se o mapa de um capítulo só passar de uns 30 blocos, vale dividir em dois mapas menores.
Escrito por Son Farias




