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Make Systems

Como estudar sem esquecer tudo (eu não era ruim de aprender, eu processava raso)

Foto de Son FariasSon Farias

Publicado em Atualizado em

Grupo de estudantes estudando juntos numa mesa com cadernos

Passei anos achando que tinha defeito de fábrica na memória. Curso parado na aula 5, livro grifado que eu não conseguia resumir em duas frases. O defeito estava no método.

Resposta curta

Pra estudar sem esquecer, troque a régua. Pare de medir o estudo pelo tempo ou pelo quanto você grifou e passe a medir quantas ligações a informação nova fez com o que você já sabe. Reler cria pontos soltos que somem. Caçar palavra-chave, conectar ideias num mapa e se testar sem olhar criam memória que fica.

Conteúdo do post
  1. Trocar de técnica não resolvia nada
  2. Processar raso e processar fundo
  3. O ajuste que funciona antes de você virar outra pessoa
  4. Se ficou mais difícil, está funcionando
  5. As técnicas que eu uso, e pra que serve cada uma
  6. Uma sessão de estudo, do jeito que eu faço hoje
  7. Onde o Make Systems entra no meu estudo
  8. Perguntas frequentes

Durante muito tempo eu achei que era ruim de aprender.

Tinha prova de sobra. Curso comprado com empolgação de começo de ano, tocado até a aula 4, às vezes a 5, e abandonado sem drama. Aula inteira que eu jurava ter entendido e que evaporava antes de eu fechar a aba. Livro lido de caneta na mão, grifado de ponta a ponta, que uma semana depois eu não conseguia resumir em duas frases.

E toda vez eu concluía que devia ser eu. Minha memória, minha atenção, algum cabo mal conectado que os outros têm e eu não.

Levei anos pra perceber que a culpa estava no que eu fazia com a cabeça, e não na cabeça. Este post é o que eu queria ter lido naquela época sobre como estudar sem esquecer, sem app mágico e sem rotina de monge.

Trocar de técnica não resolvia nada

Minha primeira reação foi caçar a técnica certa. Troquei o jeito de anotar, troquei caderno por app, testei marca-texto de quatro cores, testei não grifar nada. Cada troca rendia duas semanas de empolgação e voltava ao mesmo lugar.

O que eu não via é que duas pessoas podem usar exatamente a mesma técnica e sair com resultados opostos. A diferença está no tipo de pensamento que cada uma faz enquanto usa a técnica. O nome desse pensamento é processamento.

Processar raso e processar fundo

Processamento raso é quando a informação entra e fica sozinha, sem se ligar a nada que você já sabia. O cérebro descarta ponto solto rápido. Por isso dá pra chegar no fim de uma página tendo esquecido a metade de cima.

Processamento profundo é quando a informação nova se conecta com o que já existia. Você compara, vê onde ela encaixa, percebe onde ela contradiz outra coisa. Informação ligada a várias outras o cérebro trata como importante, e segura.

O teste que eu uso até hoje é simples. Quando sinto que aprendi alguma coisa, pergunto se decorei aquilo sozinho ou se consegui encaixar em algum lugar. Se decorei, vai sumir. Se encaixei, tende a ficar.

O ajuste que funciona antes de você virar outra pessoa

Treinar a cabeça pra processar fundo por hábito é possível, só que é lento. Se eu tivesse esperado isso pra melhorar, estaria esperando até hoje.

A saída rápida é mudar o método pra ele forçar a conexão, mesmo sem o hábito pronto. Foi assim que eu atravessei um livro denso que carregava na mala havia meses:

  1. Segui a linha com o olho, do começo ao fim de cada frase, em vez de deixar o olho passear pela página.
  2. Cacei as duas ou três palavras-chave de cada parágrafo.
  3. Anotei essas palavras soltas, à parte. Só escrever já fixou mais do que reler duas vezes.
  4. A cada punhado de palavras, perguntei como elas se ligavam, em vez de perguntar o que cada uma significava sozinha.
  5. No fim do capítulo, desenhei tudo como um mapa, com uma linha entre as que tinham relação.

Nenhum desses passos pediu força de vontade extra. Cada um mudou o tipo de pensamento que o método me obrigava a fazer. O passo a passo do último está no post sobre como fazer mapa mental de um livro.

Se ficou mais difícil, está funcionando

Essa quase me fez desistir.

Quando troquei a leitura solta por caçar palavra-chave e desenhar ligação, estudar ficou mais cansativo. Meu primeiro impulso foi achar que tinha piorado, porque antes era mais tranquilo.

Estava dando certo justamente por isso. Reler é confortável porque o texto parece familiar, e familiaridade engana. A pesquisa sobre o efeito de teste mostra que tentar lembrar sem olhar fixa mais do que estudar de novo o mesmo material, e tentar lembrar dá mais trabalho. Hoje eu tenho uma regra colada na parede: facilidade nunca foi a métrica de um bom estudo.

As técnicas que eu uso, e pra que serve cada uma

TécnicaO que fazQuando uso
Mapa mentalMostra como as ideias se ligamConceito grande, livro, matéria com muita relação
Recordação ativaTenta lembrar sem olhar, depois confereLogo depois de cada sessão
Repetição espaçadaRevisa em intervalos cada vez maioresDetalhe que precisa ficar por meses
Explicar simplesExplica como se fosse pra uma criançaPra achar onde ainda não entendi
Praticar na horaAplica o passo a passo logoFerramenta, processo, "como fazer"

Cada uma tem um post aqui no blog: repetição espaçada, método Feynman e como lembrar o que lê.

Uma sessão de estudo, do jeito que eu faço hoje

  • Antes de estudar, levanto os termos do assunto e arrisco um esqueleto, mesmo errado.
  • Durante a leitura, caço palavra-chave e encaixando no esqueleto. O que não encaixa em lugar nenhum vira uma dúvida anotada.
  • Logo depois, fecho o material e tento explicar o que estudei. O que não sai é o que eu estudo de novo.
  • Dias depois, volto no mapa e explico outra vez, sem abrir o conteúdo original.

Se você perde o foco rápido, blocos curtos com pausa, no esquema da técnica pomodoro, ajudam a cabeça a não escorregar pro piloto automático.

Onde o Make Systems entra no meu estudo

O passo que mais mudou meu estudo foi o mapa, e por isso eu levei ele pro Make Systems. No papel, o esqueleto errado virava rabisco em cima de rabisco. No mapa mental do Make Systems eu:

  1. escrevo o assunto no centro e jogo os termos em blocos soltos
  2. puxo os ramos e reorganizo quando o esqueleto se mostra errado
  3. colo o print de um slide ou a capa do livro num bloco quando a imagem ajuda a lembrar
  4. volto no mesmo mapa dias depois pra explicar sem olhar o material.

Um mapa por assunto, sempre no mesmo lugar, pronto pra abrir de novo na revisão.

Se hoje você termina um curso e na semana seguinte só sobra a capa, antes de desconfiar da sua memória, desconfie do método. Ele é bem mais fácil de trocar.

Perguntas frequentes

Quantas horas por dia devo estudar?

Menos do que você imagina, se o estudo for ativo. Uma hora caçando palavra-chave, ligando ideias e se testando rende mais do que horas relendo. Comece com um tempo que você consegue repetir todo dia, porque constância pesa mais do que uma maratona no fim de semana.

Grifar o livro ajuda a estudar?

Grifar sozinho ajuda pouco, porque dá sensação de trabalho sem obrigar você a pensar. O grifo fica útil quando é o primeiro passo, e depois você transforma as palavras marcadas em anotação, mapa ou pergunta. Se o grifo termina no grifo, ele só pintou a página.

Por que eu esqueço o que estudei tão rápido?

Porque a informação ficou solta. O cérebro descarta rápido o que não se liga a nada que você já sabe. Conectar o conteúdo novo com o antigo, se testar sem olhar e revisar com intervalos são as três coisas que mais seguram a memória por mais tempo.

Qual a melhor técnica de estudo?

A que força você a pensar sobre o conteúdo em vez de só passar por ele. Pra conceito, mapa mental e explicar em voz alta. Pra detalhe que precisa ficar meses, repetição espaçada. Pra procedimento, praticar na hora. Misturar as três costuma render mais do que escolher uma só.

Vale a pena estudar sozinho, sem curso?

Vale, desde que você monte a estrutura que o curso daria: um mapa do assunto antes de começar, uma ordem de prioridade e algum jeito de se testar. O maior risco de estudar sozinho é passar semanas consumindo conteúdo sem nunca conferir se aprendeu de verdade.

Foto de Son Farias

Escrito por Son Farias

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