Passei muito tempo achando que meu funil estava quebrado. Ele não estava. Ele só nunca tinha sido desenhado e vivia espalhado em cinco abas e na minha cabeça.
Pra desenhar um funil de vendas, coloque num só lugar, em ordem, cada ponto em que alguém encontra você, decide te ouvir e decide te pagar. Comece pelo que você já faz hoje, desenhe da direita pra esquerda (do dinheiro pro anúncio) e só depois coloque número em cada seta.
Conteúdo do post
- A maioria dos funis não está quebrado. Está invisível.
- Comece pelo que você já tem, não pelo funil ideal
- As 5 peças que todo funil tem (inclusive o seu)
- O passo a passo que eu sigo
- Os três erros que me custaram mais caro
- O que medir depois que o desenho existe
- Papel primeiro, ferramenta depois
- Perguntas frequentes
Teve uma época em que meu funil de vendas morava em cinco abas abertas e mais um pedaço na minha cabeça.
O anúncio estava no gerenciador. A página estava numa ferramenta. Os e-mails estavam em outra. O checkout numa terceira. E a parte que ligava tudo isso não estava em lugar nenhum. A ordem, o motivo de cada etapa existir, o que acontecia com quem não comprava. Estava tudo só em mim.
Eu achava que o problema era otimização. Que faltava testar mais headline, mais criativo, mais assunto de e-mail. Passei meses nisso.
O problema era outro. Eu estava tentando consertar uma coisa que nunca tinha visto inteira.
Foi quando eu sentei e desenhei tudo numa folha só que a resposta apareceu, em uns dez minutos. Ela era vergonhosamente óbvia. Tinha uma etapa no meio que simplesmente não levava a lugar nenhum.
Então este post é sobre como desenhar um funil de vendas do jeito que eu faço até hoje, antes de tocar em qualquer ferramenta.
A maioria dos funis não está quebrado. Está invisível.
Quando alguém me diz que o funil não converte, a primeira coisa que eu peço é pra ver o funil.
Quase nunca tem o que mostrar. Tem uma descrição falada, que muda um pouco cada vez que a pessoa conta. Tem uma planilha de números soltos. Tem prints. Mas o desenho, com as etapas em ordem e as setas ligando uma na outra, quase nunca existe.
E aqui está a parte chata. Você não corrige o que não consegue ver. Enquanto o funil mora na sua cabeça, toda decisão vira palpite. E palpite caro, porque você está pagando anúncio pra testar ele.
O desenho transforma "acho que o problema é o preço" em "das 1.000 pessoas que clicaram, 40 chegaram no checkout e 38 saíram nele".
Comece pelo que você já tem, não pelo funil ideal
Esse é o erro que eu mais vejo, e é o que me travou por mais tempo.
A pessoa vai desenhar o funil e desenha o funil que ela gostaria de ter: o webinário que ela ainda não gravou, a sequência de nove e-mails que ela ainda não escreveu, o upsell que ainda é uma ideia. Aí olha pro desenho, se assusta com o tamanho da obra, e não faz nada.
Duas semanas antes de escrever isso aqui eu aprendi a editar vídeo. Eu não sabia cortar um clipe. Abri um curso, vi vinte minutos sobre atalho de teclado, e fechei a aba. Aquilo não resolvia o meu problema, que era publicar um vídeo específico até sexta.
Funil é a mesma coisa. Não desenhe "o funil". Desenhe o caminho que a última pessoa que te pagou percorreu de verdade.
Se você ainda está decidindo o que vender, dá um passo atrás e começa por como transformar conhecimento em produto.
Se hoje só existe "post no Instagram → DM → link do checkout", esse é o seu funil. Desenha esses três blocos. Pronto, você tem um mapa. Feio, curto e verdadeiro, e vale dez vezes mais que um diagrama lindo de uma coisa que não existe.
As 5 peças que todo funil tem (inclusive o seu)
Não importa se você vende consultoria, curso ou serviço, todo funil de vendas é uma combinação destas cinco peças. Nomes mudam, a função não.
- A fonte, que é de onde vem a pessoa. Anúncio, busca no Google, Instagram, indicação, lista de e-mail.
- A isca, que faz ela parar e dar atenção (ou o e-mail). Um post, um vídeo, um material gratuito, uma promessa na página.
- O convencimento, onde ela decide se confia em você. Página de vendas, webinário, sequência de e-mails, uma call.
- A conversão, onde o dinheiro muda de mão. Checkout, proposta, contrato.
- O depois, que é o que acontece a seguir. Upsell, entrega, recompra, indicação. É a peça que quase todo mundo esquece de desenhar, e é onde está a maior parte da margem.
Faça o teste rápido. Pega o seu negócio e tenta encaixar cada coisa que você faz numa dessas cinco. O que não encaixa em nenhuma é forte candidato a estar sobrando.
Só um aviso pra não te vender ilusão. Na vida real ninguém desce essas cinco peças numa linha reta. A McKinsey mostrou isso há um tempão no estudo sobre a jornada de decisão do consumidor. A pessoa entra, sai, volta, pesquisa, some por três semanas e reaparece no checkout. O funil é uma simplificação útil, não um retrato fiel. Desenhe sabendo disso.
O passo a passo que eu sigo
Sete passos. Dá pra fazer no papel em meia hora, e é melhor fazer no papel na primeira vez, porque ferramenta cedo demais vira desculpa pra ficar arrumando caixinha em vez de pensar.
- Escreva o destino primeiro. No canto direito da folha, o que a pessoa compra e por quanto. Desenhar da direita pra esquerda faz você parar de inventar etapa bonita e começar a perguntar "o que precisa acontecer antes disso?".
- Volte um passo. O que acontece imediatamente antes de alguém pagar? Uma página? Uma conversa? Escreve e liga com uma seta.
- Continue voltando até chegar no primeiro contato. Quando você chegar em "essa pessoa nunca ouviu falar de mim", parou.
- Marque o que já existe e o que é sonho. Eu uso duas cores. Só o que existe entra na conta.
- Coloque os números que você tem. Quantas pessoas passam por cada seta, por mês. Vai faltar dado em quase todas, e isso também é informação. Onde não tem número é onde você está cego.
- Ache o buraco. Procure a seta onde cai mais gente de uma etapa pra outra. É quase sempre uma só, e é quase sempre óbvia depois que está desenhada.
- Escolha UMA coisa pra mexer. Um funil desenhado dá vontade de arrumar tudo. Não arrume. Mexa na pior seta, espere duas semanas, meça de novo.
Esse passo 1 parece um detalhe bobo. Não é. Desenhar de trás pra frente é o que impede o funil de virar uma lista de conteúdo que você gostaria de produzir.
Os três erros que me custaram mais caro
- Desenhar etapa que não leva a lugar nenhum. Foi exatamente o que eu achei na primeira vez. Um material gratuito lindo, que entregava, e que terminava em... nada. A pessoa baixava, agradecia e sumia. Ninguém percebe isso falando. Só desenhando.
- Confundir métrica bonita com métrica de funil. Alcance e impressão não são etapas. Ninguém paga com alcance. Se o número não corresponde a uma pessoa avançando de uma caixinha pra outra, ele não entra no desenho.
- Copiar o funil dos outros. Já tentei. Copiar um funil de lançamento inteiro de alguém que vende outra coisa, pra outro público, com outro nível de audiência, é copiar a resposta de uma prova que não é a sua. Serve de referência pra estrutura. Não serve de molde.
O que medir depois que o desenho existe
Desenho sem número é enfeite. Mas você não precisa de vinte métricas. Quatro bastam.
| O que medir | Como ler | Quando isso te salva |
|---|---|---|
| Passagem de cada etapa | % de quem avança de uma caixinha pra próxima | Mostra qual seta está furada, em vez de "o funil não converte" |
| Custo por pessoa que entra | Quanto você paga pra alguém entrar na primeira caixinha | Diz se o problema é tráfego caro ou funil ruim |
| Valor médio por visitante | Faturamento ÷ pessoas que entraram | É o número que decide se você pode pagar mais caro que o concorrente pelo mesmo clique |
| Tempo até a compra | Quantos dias entre o primeiro contato e o pagamento | Evita você matar um funil que só era mais lento que o esperado |
Se você só puder acompanhar um, acompanhe o valor médio por visitante. Ele resume o funil inteiro num número só.
Papel primeiro, ferramenta depois
Eu desenho no papel na primeira vez, sempre. Mas o papel tem um problema. Ele não muda. E funil muda toda semana.
Foi por isso que eu acabei construindo o Make Systems. Eu queria o desenho e os números no mesmo lugar, numa tela só, em vez de um diagrama numa ferramenta e os dados em outra. Anúncio, página, e-mail, webinário e checkout ligados por setas que eu consigo arrastar quando a realidade muda.
Se quiser ver como isso funciona na prática, a Central de Ajuda tem o passo a passo de montar o primeiro mapa.
Se o que você vende é conhecimento (curso, mentoria, material), escrevi um guia específico de funil de vendas para infoproduto. E pra testar se você entendeu o seu próprio funil, tenta explicar ele pra alguém de fora usando o método Feynman.
Mas, sério, se for escolher entre desenhar no verso de um envelope hoje ou abrir uma ferramenta na semana que vem, desenha no envelope. O mapa feito vale mais que o mapa bonito.
Perguntas frequentes
Quantas etapas um funil de vendas deve ter?
As que existirem de verdade, nem uma a mais. A maioria dos negócios pequenos funciona bem com três a cinco etapas. Funil longo costuma ser sinal de que ninguém cortou o que não estava sendo usado.
Preciso de uma ferramenta para desenhar o funil de vendas?
Não pra começar. Papel e caneta resolvem o primeiro desenho em meia hora. A ferramenta passa a valer a pena quando o funil muda toda semana, quando mais de uma pessoa precisa enxergar o mesmo mapa, ou quando você quer desenho e números no mesmo lugar.
Qual a diferença entre funil de vendas e jornada do cliente?
O funil é a sua visão, com as etapas que você construiu pra levar alguém até a compra. A jornada do cliente é a visão dele, incluindo tudo que você não controla. O guia do Nielsen Norman Group sobre mapa de jornada ajuda a ver a diferença, e desenhar os dois lado a lado mostra onde a expectativa não bate com a realidade.
Como sei se o meu funil está bom?
Olhando a passagem entre etapas, não o faturamento total. Um funil bom tem quedas suaves entre uma etapa e outra. Se tem uma etapa onde despenca 90% enquanto as outras perdem 30%, o problema está ali, e é ali que você mexe primeiro.
Dá pra desenhar um funil se eu ainda não vendi nada?
Dá, e vale a pena. Só desenhe o funil mais curto possível, com o que você consegue colocar de pé esta semana. Sem venda nenhuma, todo número é chute. O desenho serve pra você saber qual chute está testando.
Com que frequência eu redesenho?
Quando a realidade mudar, e não por calendário. Se entrou canal novo, mudou a oferta ou apareceu etapa nova, redesenha. Fora isso, revisar os números uma vez por mês costuma bastar, e é nessa revisão que você percebe se alguma seta começou a perder gente sem motivo aparente.
Escrito por Son Farias




